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quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Um guerreiro grande e poderoso

Foi descoberta uma vespa guerreira de proporções épicas na ilha de Sulawesi, Indonésia. Com quase 4 cm de comprimento (machos), a nova vespa é uma das maiores conhecidas actualmente. As fêmeas são um pouco mais pequenas que os machos, como se pode ver pela figura seguinte (Crédito: Kathy Keatley Garvey).


Mas o mais impressionante nesta nova espécie é as mandíbulas do macho. Quando fechadas vão “de lado a lado” da cabeça do insecto. Quando abertas são maiores do que as patas dianteiras, facto que leva os investigadores a questionarem-se sobre a forma de locomoção desta nova espécie. A imagem seguinte mostra uma vespa macho de perfil (Crédito: Kathy Keatley Garvey). No canto superior direito é possível ver a cabeça da vespa macho, com as suas poderosas mandíbulas (Crédito: Andrew Richards, Bohart Museum of Entomology).


A nova vespa foi descoberta por Lynn Kimsey, taxonomista de insectos e especialista em abelhas e vespas nas montanhas de Mecongga, no sudeste da ilha de Sulawesi. Kimsey é a directora do Museu Bohart de Entomologia (ramo da zoologia que se dedica ao estudo de insectos), da Universidade da Califórnia, Davis.

A vespa agora descoberta é um predador pertencente á família Crabronidae, do género Dalara. Kimsey deu-lhe o nome de garuda, um guerreiro mitológico do hinduísmo e do budismo, parte homem, parte ave. O garuda é um símbolo nacional da Indonésia (embora neste caso seja representado como uma águia).


Kimsay integra uma equipa da Universidade da Califórnia, Davis, que estuda a biodiversidade da ilha de Sulawesi. Durante a expedição (que teve início em 2008) Kimsay encontrou 6 espécimes desta vespa guerreira. Foram também descobertos e identificados uma nova espécie de morcego, duas de sapos/rãs, dois lagartos, dois peixes, um caranguejo terrestre e muitos, muitos insectos. Kimsay referiu que “vai levar anos, talvez gerações para estudar todos [estes insectos]”.

Kimsay revelou grande preocupação quanto à preservação da biodiversidade das montanhas de Mecongga. O local foi alvo de desflorestação nas últimas décadas (para aproveitamento/exploração das madeiras) e as autoridades locais pretendem autorizar a abertura de uma exploração mineira de níquel a céu aberto (Crédito: Sadalmelik/Wikipedia).





Notas:

(1) Adaptado de dois artigos, um do Departamento de Entomologia da Universidade da Califórnia, Davis e outro da revista New Scientist.

(2) A imagem seguinte mostra uma estátua de garuda. A fotografia foi tirada na cidade indiana de Mayapur (Crédito: GourangaUK/Wikipedia).

domingo, 3 de julho de 2011

Maquinas de lavar louça podem ter hóspedes inesperados!

Um estudo a publicar brevemente pela revista Fungal Biology revela que as máquinas de lavar louça podem albergar fungos potencialmente perigosos para a saúde. Para este estudo foram testadas 189 máquinas de 101 cidades de 18 países espalhados pelos 6 continentes (Crédito: Piotruz, adaptado).


Segundo o estudo 62% das máquinas testadas albergavam fungos nas borrachas que selam as portas. Os fungos alimentam-se dos restos de comida que ficam nos pratos, talheres e tachos. Os fungos encontrados pertencem aos géneros Aspergillus, Candida, Exophiala, Magnusiosmyces, Fusarium, Penicillum e Rhodotorula, que podem provocar doenças em humanos.

As espécies de fungos encontradas nas máquinas de lavar louça são raras na natureza e são organismos extremófilos (que ocupam normalmente nichos de condições extremas de temperatura, salinidade e pH). Para estas espécies as máquinas de lavar louça tornaram-se ambientes bastante toleráveis. Os fungos parecem ser sensíveis ao tipo de água. Os fungos do género Exophiala, por exemplo, preferem águas médias ou duras (águas com maior concentração de iões cálcio e magnésio).

Durante um ciclo de lavagem as máquinas de lavar a louça apresentam condições temporárias extremas de temperatura (60 °C a 80°C), humidade elevada, elevados valores de salinidade, presença de detergentes e pH básico forte. Estas condições eliminam potenciais competidores. Os autores do estudo verificaram que os fungos descobertos nas máquinas de lavar a louça também suportam ambientes de pH ácido.

A figura seguinte é a fotografia em infravermelho do interior de uma máquina de lavar louça após terminar um ciclo de lavagem (Crédito: Scientifica/Visuals Unlimited/Corbis).


Os autores do estudo consideram que existe a possibilidade de os fungos que vivem no interior das máquinas de lavar loiça, adaptados às condições extremas, se cruzarem com outros fungos da sua espécie e, por recombinação genética (que acontece sempre como consequência da reprodução sexuada).

Para os autores do estudo a situação mais preocupante é a contaminação com os fungos das espécies Exophiala dermatitides e Exophiala phaeomuriformis. Estas espécies foram encontradas em 56% das máquinas de lavar louça contendo fungos (sensivelmente 36% das máquinas avaliadas) e podem facilmente contaminar pessoas imunodeprimidas (pessoas com o sistema imunitário “em baixo”), doentes com fibrose quística e (raramente) pessoas saudáveis.

A figura seguinte apresenta uma cultura de E. dermatitides, obtida a partir de uma amostra recolhida de um cão infectado (Crédito: Rui Kano/PFDB).

A E. dermatitides e a E. phaeomuriformis infectam uma pessoa através de uma ferida aberta. Uma vez no interior do organismo podem provocar feohifomicoses, endocardites (que afectam os tecidos do coração), e inclusive afectar o cérebro. Os doentes com fibrose quística são mais sensíveis à acção de fungos porque tomam antibióticos com frequência (os antibióticos actuam sobre as bactérias mas não sobre os fungos).



Notas:


(1) Este texto foi adaptado a partir de informações nos seguintes sites:
http://www.elsevier.com/wps/find/authored_newsitem.cws_home/companynews05_01987
http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1878614611000729
http://www.scientificamerican.com/blog/post.cfm?id=unwanted-housemates-dishwashers-pro-2011-06-21
http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=49767&op=all

(2) Este artigo (em português) refere-se a doenças provocadas por fungos.

(3) Este artigo (em inglês) apresenta informações sobre feohifomicose.

(4) Este artigo (em português) apresenta informações sobre a fibrose quística.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Finalmente um post sobre a ave que dá nome ao blog!

O Centro Nacional de Vida Selvagem de Pukaha Mount Bruce, na Nova Zelândia comunicou o nascimento, a 1 de Maio de um kiwi branco. O kiwi recebeu o nome de Manukura, dado pela tribo mauri local. O nome resulta da conjugação de duas palavras mauri, “manu” (algo de alta categoria e também pássaro) e “kura” (precioso e também penas de pássaro) e pode ser traduzido como “[kiwi] de estatuto elevado”.


Manukura é o 13º de 14 crias que nasceram este ano no viveiro de Pukaha Mount Bruce, num esforço feito pelo Centro para a reintrodução de kiwis nesta região. Os anciões da tribo mauri local consideram o nascimento de Manukura como um bom auspício.

Manukura pode ser branco mas não é albino. A sua cor resulta de genes recessivos que recebeu de ambos os pais, capturados em Little Barrier Island (Ilha da Pequena Barreira). Nesta ilha já foram observados kiwis com manchas brancas e alguns kiwis brancos. Mas Manukura é o primeiro kiwi branco que nasceu em cativeiro.


Os responsáveis do Centro de Pukaha Mount Bruce resolveram, em 2010 capturar kiwis de Little Barrier Island e introduzi-los na floresta-santuário do Centro, de forma a aumentar a variabilidade genética da população local (fundamental para melhorar a viabilidade da espécie). Esta parece ter sido uma boa decisão, visto que 2011 é o ano com mais crias de kiwi nascidas em cativeiro desde 2003, ano do início do programa (entre 2005 e 2010 só nasceram 10 crias, no total).

Até o final de Maio Manukura vai ser mantido no berçário, onde pode ser observado pelos visitantes do Centro todos os dias à hora da pesagem. Depois será libertado num viveiro, com uma área maior, onde vai permanecer entre 4 e 6 meses até adquirir a capacidade de se alimentar e proteger sozinho.

Se Manukura tivesse a pelagem castanha normal seria finalmente libertado na floresta-santuário do Centro (como já aconteceu com 2 das 14 crias nascidas este ano). No entanto os responsáveis do Centro receiam que a cor de Manukura o torne mais vulnerável a predadores e ainda não decidiram o seu destino final.

A figura em baixo mostra Darren Page, do Centro Nacional de Vida Selvagem de Pukaha Mount Bruce e Jason Kerehi de Rangitane o Wairarapa, segurando Manukura no dia em que nasceu.






Biografia consultada:

http://www.mtbruce.org.nz/hundreds-flock-see-our-rare-all-white-kiwi-chick

http://www.doc.govt.nz/about-doc/news/media-releases/white-kiwi-chick-caps-bumper-breeding-season/

http://www.scientificamerican.com/blog/post.cfm?id=rare-all-white-kiwi-born-in-new-zea-2011-05-24

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Ozono com origem verde

Um estudo realizado por um grupo de investigadores da Universidade de Virgínia, nos Estados Unidos e publicado pela Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) em Maio de 2010, conclui que o kudzu (Pueraria montana), uma trepadeira leguminosa da família das ervilheiras e dos feijoeiros, pode contribuir de forma significativa para o aumento dos níveis de ozono na troposfera, principalmente nos meses de Verão.

A figura seguinte apresenta um kudzu “ em flor”, tirada no Japão (Crédito fotográfico: Myia/Wikipedia).


O kudzu, é uma trepadeira originária do Japão e sudeste da China. Foi introduzido nos Estados Unidos nos finais do século XIX como planta ornamental e fonte de forragem (material que serve para alimentação do gado). Também foi utilizada para retardar a erosão de solos agrícolas.

Actualmente o kudzu é considerado uma espécie invasiva particularmente agressiva nos Estados Unidos. Com uma grande capacidade de crescimento (pode crescer quase 20 metros num ano), invade facilmente qualquer tipo de terreno.

A figura seguinte apresenta um campo arborizado, quase todo invadido por kudzo, no Mississípi, Estados Unidos (Crédito fotográfico: Galen Parks Smith /Wikipedia).


Como todas as leguminosas o kudzu contribui para a fixação de azoto no solo. Esta capacidade é um dos factores responsáveis pelo seu crescimento agressivo. Mas este facto torna o kudzu indirectamente responsável pela produção de grandes quantidades de óxidos de azoto.

Para além disso o kudzu produz isopreno, um composto orgânico volátil (ou VOC) utilizado pela planta para protecção contra temperaturas excessivas e contra a acção nociva de espécies reactivas de oxigénio.

A reacção entre os óxidos de azoto (também referidos como NOx) com o isopreno leva à formação de ozono. A formação de ozono a partir destes reagentes é complexa envolvendo pelo menos um ciclo de reacções (ver o esquema da última figura) mas pode ser representada de forma simples, como na figura seguinte (Crédito: Aura/NASA).


O ozono é um gás com um papel extremamente importante na atmosfera. Forma uma camada protectora na estratosfera, a sensivelmente 30 km do solo terrestre que nos protege contra a acção perniciosa dos raios ultra violeta (UV). Mas na atmosfera, o ozono não se encontra apenas na estratosfera. Na troposfera, a camada da atmosfera mais próxima do solo, o ozono pode causar graves problemas de saúde a quem o respire.

Em geral os reagentes precursores do ozono troposférico são produzidos pela actuação humana, como os referidos na figura seguinte (Crédito: EPA). No entanto uma das maiores fontes de isopreno na Terra é natural: este composto orgânico é utilizado por muitas plantas (ver este artigo).


O ozono pode causar irritação dos olhos e é um agente mutagénico (factor físico ou químico que pode alterar o código genético de um indivíduo), podendo provocar cancro. Quando inspirado, o ozono causa irritação das vias respiratórias, dificultando a respiração. Pode também agravar problemas de asma e tornar as pessoas susceptíveis (sensíveis) a doenças respiratórias como a bronquite e a pneumonia. Na verdade exposições repetidas a níveis elevados de ozono podem provocar danos permanentes nos pulmões.

Manuel Lerdau, líder da equipa, refere que o kuzdu poderá ser responsável pelo aumento de até “50 por cento no número de dias de cada ano em que os níveis de ozono excedem o máximo recomendado pela Agencia de Protecção Ambiental [Norte-Americana] (EPA)”, pondo em causa os esforços feitos para a redução de ozono através do controlo de poluição feita pelos automóveis.

Uma última fotografia do kudzo invasor, desta vez uma casa coberto em Georgia, Estados Unidos (Crédito fotográfico: Shane A/Flickr).



Nota: A figura seguinte apresenta, de forma mais detalhada a formação de ozono a partir de óxidos de azoto (NOx) e de compostos orgânicos voláteis (VOCs). Os VOCs também podem dar origem a aerossóis orgânicos (SOA) (Crédito: autor desconhecido).

sábado, 16 de outubro de 2010

Branqueamento no fundo do mar!

Estudos de investigadores da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) revelam que a taxa de branqueamento dos corais no mar das Caraíbas aumentou nos meses de Agosto e Setembro de 2010. O aumento do branqueamento é uma consequência da temperatura média do mar nessa zona. A temperatura média da água em finais de Setembro era de 32 ºC, quando deveria ser apenas de 28 ºC (quase 9% acima da média). (Credito do esquema: NOAA – adaptado).


O aumento da taxa de branqueamento de corais tem sido bastante visível nas costas do Panamá e da Costa Rica.

Os investigadores da NOAA receiam que os valores de temperatura elevados nos mares das Caraíbas poderão provocar uma situação tão ou mais grave como a que aconteceu nesta zona em 2005. Neste ano mais de 80% dos corais sofreram branqueamento e destes mais de 40% morreram.

Os corais são constituídos por uma estrutura de base (esqueleto) de carbonato de cálcio, construído por organismos de tamanho reduzido, os pólipos de coral. Os pólipos de coral estabelecem uma relação de simbiose (relação em que ambas as espécies beneficiam) com algas fotossintéticas microscópicas, chamadas zooxanthellae.

As algas vivem no interior dos pólipos de coral e fornecem-lhes nutrientes, oxigénio e energia extra (resultante da fotossíntese). Em troca os pólipos também fornecem às algas nutrientes e protecção contra predadores. As algas são responsáveis pela cor dos corais.

Em situações de stress, como é o caso do aumento da temperatura média da água, os pólipos de coral podem terminar a relação de simbiose, expulsando as algas. Sem as algas os corais tornam-se brancos (cor do carbonato de cálcio), e por isso este processo é chamado branqueamento. (Crédito do esquema: AFP).


A figura seguinte mostra um coral a sofrer o processo de branqueamento (Crédito fotográfico: NOAA).



Pormenor da figura anterior, onde é possível distinguir pólipos de coral saudáveis (pontos mais escuros) entre as zonas branqueadas.


O branqueamento por si só, não mata os pólipos de coral, mas torna-os bem mais sensíveis à acção de bactérias e fungos causadores de doenças. A combinação destes dois factores é mortal, como se pode ver na sequência de fotografias da figura seguinte. Um coral saudável (à esquerda) sofre branqueamento seguido de infecção pela “doença da banda preta” (ao centro). A área infectada pela infecção não recupera (à direita).


A morte dos corais devido ao branqueamento tem consequências bastante graves para a biodiversidade dos habitats. Os recifes de coral são a “casa” de um grande número de animais marinhos, incluindo crustáceos e peixes. A morte dos pólipos promove a degradação dos recifes de coral, destruindo este habitat, provocando a fuga ou morte de animais marinhos.

Em geral os recifes de coral conseguem recuperar do processo de branqueamento, se for um acontecimento único, de curta duração e não recorrente. A recuperação dos recifes de corais depende da capacidade de reprodução assexuada dos corais, da sua capacidade para se dispersarem por grandes distâncias e da sua capacidade de reconstrução. Quanto maiores estas capacidades, mais fácil será a recuperação dos recifes de corais.

A recuperação dos recifes de corais também depende da qualidade da água!


Crédito fotográfico: Toby Hudson/wikipedia)

(Os autores das figuras apresentadas poderão não partilhar das opiniões expressas neste blog)


Notas:

(1)
O branqueamento dos corais tem sido um dos efeitos mais visíveis do impacto das alterações climáticas devido ao efeito de estufa;

(2) Nos mares das Caraíbas, todos os anos a temperatura média da água e baixada pelas tempestades tropicais que se formam/passam nesta região. Em 2005 (ano de grande mortalidade dos corais devido a branqueamento) a temperatura média do mar manteve-se elevada porque o número de tempestades tropicais na região foi pequeno.

(3) A morte dos pólipos também provoca a libertação de muita matéria orgânica, que torna a água turva. Esta matéria orgânica é consumida por bactérias decompositoras, que leva a uma diminuição drástica da concentração de oxigénio (em certos casos o valor pode chegar perto de zero). Se a concentração de oxigénio for demasiado baixa, os animais não conseguem respirar e morrem ou então deslocam-se para outros locais.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Fumarolas mostram consequências negativas de excesso de CO2 no mar

O Journal of the Geological Society apresentou um estudo sobre a influência do nível de pH em populações de foraminiferas, organismos unicelulares protistas, contendo uma pequena concha (chamada teca) que (com algumas excepções) é constituída por carbonato de cálcio.

O estudo foi feito nas fumarolas vulcânicas situadas na costa da ilha de Ischia , que libertam naturalmente dióxido de carbono (CO2). Tal como acontece com o CO2 emitido para a atmosfera em resultado da actividade humana, o CO2 emitido pelas ventarolas provoca a diminuição do pH do mar em redor, ou seja torna-o mais ácido. A figura seguinte apresenta uma fotografia de fumarolas da costa de Ischia (Crédito fotográfico: Universidade de Plymouth, EUA).



Segundo o estudo, a acidificação do mar em torno das ventarolas é responsável por uma diminuição significativa de diversidade dentro do conjunto de foraminiferas (um decréscimo de 24 para 4 espécies). As foraminiferas foram escolhidas porque têm um ciclo de vida curto, são sensíveis a alterações no meio ambiente e porque se encontram bem representadas ao longo do registo fóssil. Em baixo encontram-se alguns exemplos (Crédito fotográfico: wikipedia).


O facto de terem uma concha constituída de carbonato de cálcio também foi importante na escolha das foraminiferas. A diminuição do nível de pH nos oceanos provoca a diminuição do carbonato de cálcio disponível para a construção da concha destes e de outros animais marinhos (como é explicado aqui).

Variações em número e distribuição global de foraminiferas no registo fóssil parecem ser, em geral, consequência de alterações climáticas a nível global. Por exemplo durante o Máximo Térmico do Paleaceno-Eoceno (em inglês Palaeocene-Eocene Thermal Maximum ou PETM), que aconteceu acerca de 55 milhões de anos ocorreu um aumento “rápido” (geologicamente falando) da temperatura média da Terra de 5-6 ºC. A temperatura média manteve-se elevada durante algumas dezenas de milhares de anos. Durante este período a quantidade e distribuição de foraminiferas no registo fóssil diminuiu de forma considerável.

Os resultados apresentados pelo estudo publicado agora estão de acordo com a hipótese defendida por vários investigadores (ver aqui [em inglês]) de que o aumento “rápido” da temperatura durante o PETM foi uma consequência da libertação de gases de efeito de estufa como o dióxido de carbono e o metano. O excesso de dióxido de carbono terá sido absorvido pelos oceanos provocando a diminuição do pH (acidificação dos oceanos).