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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Cometas, fonte da água dos Oceanos

Elementos recolhidos pela sonda espacial Herschel indiciam que os cometas poderão ter sido contribuidores importantes de água para a Terra. A Herschel analisou a cabeleira do cometa Hartley 2, um cometa com origem na Cintura de Kuiper, e verificou que a água presente no cometa apresenta uma assinatura química semelhante à da água dos oceanos na Terra.

Em baixo uma fotografia do Hartley 2 tirada pelo satélite EPOXI a 4 de Novembro de 2011 (Crédito: NASA, JPL-Caltech, UMD, EPOXI Mission).


A água presente nos Oceanos não acompanha a Terra desde a sua origem. Aquando da sua formação, a Terra era árida e seca, com toda a água presente a evaporar e escapar-se da atmosfera terrestre. A água presente actualmente na Terra veio do espaço, alguns milhões de anos após a formação da Terra. Os investigadores consideram como melhores candidatos os asteróides (presentes na cintura de asteróides, entre Marte e Júpiter) e cometas.

Para determinar quais os melhores candidatos como fontes de água no Sistema Solar têm sido estudadas as assinaturas químicas da água presente em asteróides e cometas. Este estudo baseia-se no facto a assinatura química da água depender da sua fonte: amostras de água de fontes com origem comum (formadas na mesma zona do Sistema Solar) têm a mesma assinatura. A análise meteorito carbonáceos, uma classe de asteróides, revelou possuem água com uma assinatura química semelhante à dos Oceanos terrestres.

Até agora foi analisada a assinatura química da água libertada por seis cometas. Destes apenas a água presente no cometa Hartley 2 (o último a ser analisado) apresenta uma assinatura semelhante à água presente na Terra. O Hartley 2 é também o único cometa analisado que tem origem na cintura de Kuiper, a “apenas” 30 UA do Sol (unidades astronómicas, 1 UA = distância da Terra ao Sol). Os outros cinco cometas analisados têm origem na nuvem de Oort, situada muito mais longe, a um ano-luz do Sol (50 000 UA), no limite do sistema solar.

A origem diferente dos cometas leva os investigadores a concluir que os cometas com origem cintura de Kuiper (mas não os com origem na mais distante Nuvem de Oort) são potenciais candidatos a fontes de água terrestre.

A figura seguinte apresenta uma figura indicando as escalas relativas de parte do sistema solar (mais à esquerda), da cintura de Kuiper (onde se situam Plutão e os outros planetas anões) e da Nuvem de Oort (mais à direita). À esquerda estão representados os cinco planetas mais próximos do Sol (Júpiter é o planeta mais exterior). O traçado branco representa a órbita de 6,5 anos do cometa Hartley 2 em torno do Sol (Crédito: ESA/AOES Medialab).





Notas:

(1) A assinatura química da água é a razão entre a concentração de átomos de deutétio e átomos de hidrogénio. Uma molécula de água é constituída por dois átomos de hidrogénio e um de oxigénio. Ambos os elementos químicos (hidrogénio e oxigénio) apresentam isótopos, átomos com um núcleo com o mesmo número de protões, mas diferente número de neutrões. O hidrogénio apresenta três isótopos. O mais comum, chamado prótio, tem apenas um protão. Muito menos comuns são o deutério (constituído por um protão e um neutrão) e o trítio (constituído por um protão e dois neutrões).

A chamada “água pesada” (porque a massa de cada molécula é superior à massa de uma molécula de “água normal”) é constituída por moléculas em que um dos átomos de hidrogénio é substituído por um átomo de deutério, como se pode ver na figura seguinte, ao centro (Crédito: NASA/JPL-Caltech).


Esta figura apresenta a assinatura química da “água pesada” (gráfico azul em cima à esquerda) e da “água normal” (gráfico verde em baixo à esquerda), uma molécula de “água normal” (rodeada por um quadrado verde, a bola vermelha representa o átomo de oxigénio e as bolas cinzentas representam átomos de hidrogénio) e uma molécula de “água pesada” (rodeada por um quadrado azul, a bola azul representa o átomo de deutério). Em baixo à direita uma foto do cometa Hartley 2.

(2) Duas fontes interessantes (incluindo figuras): NASA e ESA.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

A Google comemora o dia da Terra!


Hoje a Google associa-se à comemoração mundial do 40º aniversário do Dia da Terra, com um logótipo comemorativo.

A celebração do Dia da Terra todos os anos, a 22 de Abril, é o resultado do interesse e motivação de um antigo governador e senador do estado de Wisconsin, Gaylord Nelson (1916-2005).

No decorrer da década de 60 do século passado Nelson foi lançando alertas quanto à importância da preservação do meio ambiente (três décadas mais tarde Al Gore seguiu o seu exemplo).

Em Setembro de 1969, quando participava numa conferência em Seattle, situada no estado norte-americano de Washington, Nelson anunciou que no ano seguinte iria promover uma manifestação em favor do meio ambiente, convidando todos a participar.

Num tempo em que não existiam telemóveis ou internet a ideia do senador Nelson andou de boca em boca, por telefone, carta ou telegrama. Rapidamente o gabinete de apoio de Nelson deixou de ter capacidade para responder aos milhares de pedidos de esclarecimento e de apoio de norte-americanos, querendo participar no evento.

Segundo as palavras do próprio Gaylord Nelson:
O Dia da Terra resultou por causa da resposta espontânea ao nível das bases. Nós não tínhamos tempo nem recursos para organizar 20 milhões de manifestantes e os milhares de escolas e comunidades locais que participaram. Essa foi a coisa mais notável sobre o Dia da Terra. Organizou-se a si próprio.
No dia 22 de Abril de 1970, a data em que se comemorou o Dia da Terra pela primeira vez, várias cidades norte-americanas participaram, com manifestações e actividades envolvendo, no total, perto de 20 milhões de pessoas.

A primeira comemoração do Dia da Terra assinalou o início do interesse demonstrado pelo Homem com as questões do meio ambiente, a poluição (nomeadamente a contaminação da terra, ar e água) e as suas consequências, incluindo as consequências negativas.

Actualmente o Dia da Terra é comemorado mundialmente, em diferentes países de todos os continentes, incluindo Portugal.